22/07/2016 | litor6br | Sem Comentários



O inquérito sobre a tragédia com o caminhão carregado com álcool que acabou com seis mortes na BR-277, no litoral do Paraná, continua em trâmite. Nesta semana, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) concluiu o boletim de ocorrência (BO) e o encaminhou para a Delegacia de Morretes, responsável pelas investigações. As informações foram repassadas ao Instituto de Criminalística, que ainda finaliza a perícia do acidente.

A intenção do delegado Antônio César Monteiro é confirmar se o crime se trata de homicídio doloso com dolo eventual, como já vem sendo tratado, ou se foi culposo. “O laudo do Instituto de Criminalística é o que vai nos ajudar, principalmente nestes detalhes das investigações”, explicou. O acidente – que terminou em 6 mortes e 12 feridos – ocorreu no dia 6 de julho e envolveu, além do caminhão, outros doze veículos.

O BO da PRF, conforme o delegado, é objetivo e apenas descreve como foi o acidente, as pessoas que foram atendidas, os óbitos e veículos envolvidos. Além deste documento, a Polícia Civil também encaminhou uma cópia das imagens ao perito. “Nós, na delegacia, ainda não terminamos de ouvir as vítimas. Continuamos trabalhando para conseguir todos os detalhes com relação ao acidente”.

Empresa ainda não foi ouvida

De acordo com o delegado, a empresa responsável pelo caminhão deve ser ouvida pela Polícia Civil de Santa Catarina. “Como um procedimento padrão, enviamos uma carta precatória para a polícia do Estado vizinho, para que possam ouvir os responsáveis. Juntamos todas as nossas dúvidas e esperamos, agora, que a empresa nos esclareça alguns pontos”, disse Antônio César Monteiro.

Por enquanto, conforme informou o delegado, a responsabilidade da empresa é subjetiva. “Caso seja comprovada a informação dada pelo motorista, de que ele teria sido orientado a seguir viagem mesmo depois de avisar que o caminhão não tinha condições, mudamos também a culpa”, explicou.

Júri popular

O motorista, Jairo do Nascimento Pacheco, de 43 anos, responde em liberdade. Ele pagou um valor de aproximadamente R$ 10 mil em fiança. Para o delegado, o acidente deve ser tratado como homicídio doloso, com dolo eventual, por o motorista ter assumido o risco de dirigir sabendo que o veículo não tinha condições. “Vamos esperar o resultado da perícia, mas tudo depende também do Ministério Público do Paraná, da análise que vai ser feita”.

O tempo para a conclusão do inquérito, segundo o delegado, é de pelo menos um mês, principalmente pela polícia ter que esperar a resposta da carta precatória de Santa Catarina. Caso o MP-PR aceite a denúncia como homicídio doloso com dolo eventual, o motorista pode ser levado a júri popular.

Fonte: Paraná Online