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Novo medicamento testado com coautoria da USP avança no tratamento de doença rara

Estudo internacional indica que fármaco reduz risco de morte e hospitalização em casos graves de hipertensão arterial pulmonar

Por Danillo Karlo
07 de Julho de 2025 às 11:30

Um estudo clínico internacional publicado no periódico The New England Journal of Medicine trouxe avanços importantes no tratamento da hipertensão arterial pulmonar (HAP), uma doença rara e grave que afeta os vasos sanguíneos dos pulmões. O novo medicamento, chamado Sotatercept, foi testado em pacientes em estágio avançado da doença e demonstrou redução de 76% no risco de hospitalização, transplante ou morte.

O estudo contou com coautoria do professor Rogério de Souza, titular de Pneumologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), que destacou a importância do resultado:

“O fármaco demonstrou impacto direto na sobrevida dos pacientes mais graves, algo que não víamos com os tratamentos anteriores”, afirmou.

A hipertensão arterial pulmonar atinge, principalmente, mulheres entre 40 e 50 anos e, se não tratada corretamente, pode levar a uma sobrevida inferior à de vários tipos de câncer. Os sintomas mais comuns são cansaço extremo e falta de ar em atividades simples, o que afeta drasticamente a qualidade de vida. Atualmente, estima-se que cerca de 5 mil brasileiros convivem com a doença.

Segundo o pesquisador, o diagnóstico costuma ser demorado, já que os sinais podem ser confundidos com outras enfermidades, como insuficiência cardíaca ou doença pulmonar obstrutiva crônica.

 “Muitas vezes o paciente só consegue um diagnóstico preciso depois de muito tempo, o que agrava a situação clínica”, explicou.

Medicação aprovada no exterior, mas ainda fora do SUS
O Sotatercept já foi aprovado pela FDA (Estados Unidos) e pela EMA (Europa), e vem sendo utilizado por milhares de pacientes no exterior. No Brasil, o medicamento foi registrado pela Anvisa no final de 2024, mas ainda não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).

Administrado por injeção subcutânea a cada três semanas, o tratamento é considerado de alto custo. Diante disso, o professor Rogério de Souza defende a incorporação da nova terapia ao SUS, ao menos para os pacientes mais graves:

“Com esse medicamento, podemos retirar pessoas da fila de transplante e devolver a elas uma vida ativa. É uma forma mais racional de usar os recursos públicos.”

O Ministério da Saúde informou que a Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias) ainda não recebeu pedido formal para avaliar a incorporação do medicamento, mas que o SUS já oferece outros tratamentos gratuitos para HAP, como ambrisentana, bosentana, iloprosta, selexipague e sildenafila, de acordo com protocolos clínicos.

Rádio Litoral Sul, com apoio nas informações da Agência Brasil.

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