Couro de peixe de Pontal do Paraná ganha selo nacional
Material produzido a partir de resíduos da pesca artesanal recebe Indicação Geográfica e fortalece identidade, renda e turismo no município
Por Redação
12 de Maio de 2026 às 15:23
Transformar sobra de pescado em renda, oportunidade e símbolo de identidade local é o que levou o couro de peixe produzido em Pontal do Paraná a receber, nesta terça-feira (12), o registro de Indicação Geográfica (IG) do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Com o reconhecimento, o município passa a fazer parte do grupo de territórios brasileiros que têm produtos diretamente ligados à tradição, ao modo de fazer e à reputação construída ao longo do tempo. O couro de peixe de Pontal agora integra a lista das 26 Indicações Geográficas já reconhecidas no Paraná, sendo o quarto selo obtido em 2026, na categoria Indicação de Procedência, que destaca a cidade como referência na produção artesanal e sustentável do material.
A trajetória até o selo começou em 2008, com ações do programa Universidade Sem Fronteiras, e ganhou força com o trabalho conjunto da Associação Couro de Peixe de Pontal do Paraná (ACPPP), em parceria com a Prefeitura, Sebrae/PR, Universidade Estadual do Paraná, Programa do Voluntariado Paranaense, Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e Conselho Municipal de Turismo. Hoje, 16 produtores atuam diretamente na cadeia produtiva e cerca de 30 famílias são impactadas de forma indireta. O couro produzido no município abastece indústrias de calçados, designers de móveis, estilistas e artesãos, que usam o material em bolsas, brincos, colares, chaveiros, cadernetas e outros produtos.
Além de valor cultural, o processo se destaca pelo viés ambiental, já que as peles, antes descartadas como resíduo da pesca, passam por etapas de limpeza, curtimento, tingimento e amaciamento até se tornarem um material resistente, versátil e valorizado no mercado nacional e internacional. Produtos feitos em Pontal do Paraná já chegaram a países como Alemanha, França e Portugal, ampliando o alcance do trabalho local. Entre as espécies utilizadas estão robalo flecha, robalo peva, linguado-abaxial, corvina, pescada amarela, miraguaia, tainha, cavala, salmão, tilápia, entre outras listadas no Caderno de Especificações da IG.
A presidente da associação, Ana Maria de Oliveira Ferreira de Almeida, afirma que o selo abre novas portas para quem vive dessa atividade. “Acredito que a IG vai nos dar mais visibilidade e reconhecimento do nosso trabalho. Isso valoriza a geração de renda na nossa comunidade, assim como a cultura, o artesanato e o saber fazer”, afirmou. O prefeito Rudão Gimenes também ressaltou a importância da conquista para o município: “Essa conquista reconhece algo muito peculiar da nossa cidade e ligado à nossa identidade. É um trabalho construído com dedicação e que leva o nome de Pontal do Paraná para cada vez mais lugares”, disse.
O reconhecimento tende a impulsionar o turismo, o artesanato e a economia criativa, valorizando os saberes caiçaras e estimulando a preservação de práticas ligadas à pesca artesanal. Além do couro de peixe, outro símbolo gastronômico de Pontal segue em busca de reconhecimento: a cambira, prato típico do município, tem pedido de Indicação Geográfica em análise no INPI.
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