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Imagem: G1- GLOBO

Outono traz queda de temperatura e alerta para doenças respiratórias e cardiovasculares

Clima seco e poluição aumentam riscos de gripe, asma, pneumonia e infarto

Por Yasmim Amarantes
03 de Junho de 2026 às 10:00

Com a chegada do outono, a combinação entre a queda gradativa das temperaturas e a diminuição da umidade relativa do ar passa a exigir atenção redobrada com a saúde. Esse ambiente mais frio e seco cria o cenário ideal para a proliferação e estabilidade de vírus e bactérias na atmosfera, elevando de forma expressiva a incidência de patologias respiratórias como bronquite, pneumonia, conjuntivite, rinite alérgica, sinusite, asma, doença pulmonar obstrutiva crônica, Covid-19 e tuberculose, além de gripes e resfriados sazonais. Para além dos pulmões, as alterações climáticas típicas desta época do ano também funcionam como um gatilho para o aumento de eventos cardiovasculares graves, incluindo o infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral, afetando de maneira mais severa os grupos considerados de maior vulnerabilidade, como as crianças e os idosos.

A explicação científica para esse fenômeno aponta que o ar seco e estagnado favorece a concentração de poluentes e poeira em suspensão, ao mesmo tempo em que o choque térmico resseca os tecidos das vias aéreas superiores, comprometendo as barreiras naturais de imunidade do organismo humano. Dados do HCor – Hospital do Coração, localizado em São Paulo, confirmam a sazonalidade do problema ao registrar um crescimento de 30% a 40% no volume de atendimentos relacionados a essas condições durante a estação. O pneumologista Pedro Genta esclarece que agentes bacterianos causadores de infecções graves costumam se aproveitar dessa vulnerabilidade imunológica inicial e adverte que a população deve buscar avaliação médica imediata caso sintomas de um resfriado comum persistam por um período prolongado e venham acompanhados de febre alta ou cansaço físico.

Pelo viés cardiológico, o médico Abrão Cury detalha que a exposição prolongada ao frio induz o organismo a realizar um processo de vasoconstrição periférica para reter calor, o que eleva a pressão arterial e aumenta a viscosidade e a tendência de coagulação do sangue dentro dos vasos. Esse estresse circulatório, somado à inflamação sistêmica gerada pela inalação crônica de poluentes nos dias mais secos, potencializa a ocorrência de episódios trombóticos nas artérias. O especialista orienta que os portadores de comorbidades pré-existentes, como insuficiência cardíaca, arritmias ou enfisema pulmonar, realizem uma consulta de rotina preventiva para o ajuste adequado de suas medicações de uso contínuo antes do estabelecimento definitivo das frentes frias.

Para minimizar os impactos do outono no bem-estar diário, os profissionais de saúde elencam um conjunto de diretrizes preventivas práticas a serem adotadas pela população na rotina diária. O pilar fundamental consiste em manter uma hidratação constante por meio da ingestão regular de água para garantir a lubrificação ideal das mucosas respiratórias. Recomenda-se também manter os ambientes domésticos e de trabalho devidamente arejados, evitando aglomerações em recintos totalmente fechados, além de higienizar as mãos com frequência para interromper o ciclo de transmissão de vírus por contato com superfícies contaminadas.

Adicionalmente, os cuidados incluem a utilização de aparelhos umidificadores de ar nos dias mais críticos, o uso de vestimentas adequadas para a proteção corporal contra ventos gelados, a prática de hábitos saudáveis voltados ao equilíbrio do sono e da alimentação, e a restrição de atividades físicas ao ar livre nos horários de maior secura e tráfego de veículos. Por fim, as autoridades médicas reforçam a necessidade absoluta de manter o calendário vacinal atualizado, sobretudo com a aplicação anual da vacina contra a gripe, que está disponível prioritariamente para idosos, crianças pequenas, profissionais do setor de saúde e portadores de doenças crônicas em geral.

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