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Imagem: Internet

Canetas emagrecedoras podem ser oferecidas pelo SUS com acompanhamento médico

Ministério da Saúde estuda uso de medicamentos contra a obesidade e prepara protocolo para definir critérios de atendimento

Por Redação
19 de Setembro de 2026 às 17:00

Durante uma viagem a Montes Claros, em Minas Gerais, nesta quinta-feira (17), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresentou os primeiros resultados do trabalho realizado pelo Ministério da Saúde para avaliar a inclusão das chamadas canetas emagrecedoras no Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo o ministro, os medicamentos usados no tratamento da obesidade poderão ser oferecidos gratuitamente pelo SUS de forma responsável, com base em estudos e na definição de um protocolo clínico.

“O Brasil é hoje o país com a maior diversidade de medicamentos registrados para o combate à obesidade, as chamadas canetas emagrecedoras. Já temos 14 produtos registrados. E isso derrubou o preço para a população. O que estava custando R$ 1,7 mil, R$ 2 mil, já está entre R$ 300 e R$ 400 na farmácia, aumentando o acesso. Isso já ajuda muita gente. Mas a gente quer uma outra coisa: colocar essa medicação no SUS como um direito. E vamos fazer isso de forma responsável”, ressaltou o ministro Padilha.

Durante visita à fábrica da Eurofarma, o ministro afirmou que a possível incorporação dos medicamentos não terá como objetivo um “milagre estético”. O estudo avalia pessoas que estão na fila para cirurgia bariátrica, pacientes com obesidade e problemas cardíacos e mulheres que tiveram câncer de mama.

A análise busca verificar se o uso dos medicamentos pode controlar a obesidade e, em alguns casos, evitar a necessidade de cirurgia. Também será avaliado se o tratamento pode melhorar a condição de pessoas com obesidade e problemas cardíacos e reduzir o risco de retorno do câncer de mama.

“Estamos avaliando pessoas que estavam na fila de cirurgia bariátrica para saber se o uso dessa medicação consegue controlar a obesidade sem a necessidade de cirurgia; se melhora a situação de pessoas que têm obesidade e problemas cardíacos; e de mulheres que tiveram câncer de mama, avaliando se a utilização dessa medicação pode reduzir o risco de o câncer voltar. São pessoas que precisam do medicamento, com orientação médica. Vamos deixar pronto o protocolo para podermos disponibilizá-lo no SUS, em todo o Brasil, de forma responsável”, reforçou.

De acordo com Alexandre Padilha, o trabalho começou após um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), que orientou os países a avaliarem o acesso a medicamentos desse tipo devido aos possíveis benefícios para outras questões de saúde.

O Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) realizaram um edital para identificar empresas nacionais e internacionais com capacidade de produzir no Brasil a caneta emagrecedora à base de semaglutida, cuja patente expiraria em 2026.

“Assim que a OMS divulgou esse relatório, o Ministério da Saúde e a Anvisa chamaram empresas nacionais e internacionais, lançaram um edital e perguntaram quem teria condições de produzir, aqui no Brasil, a caneta emagrecedora à base de semaglutida, cuja patente expirava neste ano de 2026. Tivemos uma resposta muito boa”, disse o ministro.

O Ministério da Saúde também acompanha os resultados do uso dos medicamentos no sistema público. O primeiro paciente a receber o tratamento pelo SUS foi atendido no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Segundo Padilha, o paciente estava na fila para cirurgia bariátrica e já perdeu seis quilos, além de apresentar redução na circunferência. O ministro também relatou mudanças nos hábitos de vida do paciente.

“O primeiro paciente que recebeu essa medicação pelo SUS estava na fila da cirurgia bariátrica. Ele já perdeu seis quilos e reduziu a circunferência. E o que é mais legal: ele conta que já mudou os hábitos de vida. Começou a ajudar a mãe em casa, a sair de casa e a fazer atividade física”, contou Padilha.

Para avaliar o tratamento, foi criado o estudo Real-Bari, com um protocolo de pesquisa para o uso da semaglutida em pacientes com obesidade. O trabalho foi elaborado pelo Ministério da Saúde em parceria com a equipe técnica do GHC.

A pesquisa busca garantir maior segurança aos participantes e estabelecer orientações para o acompanhamento contínuo por médicos especialistas. Ao todo, serão acompanhados 250 pacientes do SUS atendidos pelo hospital que tenham obesidade grave ou obesidade associada a outras doenças.

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