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Imagem: Prefeitura de Paranaguá
Estrutura de atendimento à mulher de Paranaguá é referência para outros municípios
Secretaria municipal apresenta modelo integrado de proteção e acolhimento
Por Redação
18 de Setembro de 2026 às 10:36
A Secretaria Municipal da Mulher, Desenvolvimento Social e Igualdade Racial (Semdir), em Paranaguá, oferece um conjunto de serviços voltados à proteção, acolhimento e enfrentamento da violência contra a mulher, despertando interesse de outras cidades do Paraná.
A rede local inclui o Centro Integrado da Mulher, a Casa da Mulher Parnanguara, o processo de implantação do Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), além de unidades de acolhimento provisório e temporário e ações integradas de prevenção e proteção.
Na manhã de quinta‑feira, 17 de setembro de 2026, uma equipe do município de Piraquara chegou a Paranaguá para conhecer as instalações e o funcionamento da Casa da Mulher Parnanguara, com o objetivo de trocar experiências e observar os procedimentos adotados no atendimento a mulheres vítimas de violência.
A delegação foi recebida pela superintendente Fabíola Soares Arcega, que apresentou a estrutura e explicou como os diferentes serviços estão organizados dentro da Secretaria Municipal da Mulher, Desenvolvimento Social e Igualdade Racial.
“Nós apresentamos o Departamento da Mulher dentro da Secretaria Municipal da Mulher, Desenvolvimento Social e Igualdade Racial e, em especificidade, o enfrentamento à violência, que seria hoje a Casa da Mulher Brasileira, o atendimento do acolhimento provisório e temporário, o Centro de Referência de Atendimento à Mulher e a Patrulha Maria da Penha. Eles vieram especificamente para conhecer como nós trabalhamos com o acolhimento e de que forma acontece aqui”, explicou Fabíola Arcega.
Segundo a superintendente, a visita representa uma oportunidade de intercâmbio entre os municípios, permitindo o compartilhamento de experiências, informações e procedimentos utilizados no atendimento diário.
“Eu acho que é positivo porque sempre há troca de conhecimento, de informações, de um município para outro. Isso enriquece o município que recebe e o município que está voltando para o seu destino. Então, é muito válido”, destacou.
Fabíola Arcega também ressaltou que Paranaguá disponibilizará informações administrativas e os fluxos utilizados nos serviços de atendimento.
“Eu acredito que isso vai subsidiar justamente as ações que eles possam estabelecer no outro município. Então, vai nos ajudar. A gente vai estar disponibilizando toda a parte administrativa, todos os fluxos do cadastro, todas as informações que a gente usa aqui diariamente para eles. Então, acredito que também vai ser de forma positiva para o município de Piraquara”, concluiu.
A secretária municipal de Assistência Social de Piraquara, Maria Cicarelli de Lima, acompanhada de sua equipe, participou da visita. O município está se preparando para implantar sua própria estrutura de atendimento a mulheres vítimas de violência e buscou em Paranaguá referências para organizar o serviço.
Maria Cicarelli apontou que a realidade dos dois municípios apresenta semelhanças e que os números registrados em Piraquara reforçaram a necessidade de ampliar a rede de atendimento.
“Nós marcamos esse momento para conhecer um pouco a realidade de Paranaguá, que é muito semelhante à nossa, porque no município de Piraquara nós também iremos abrir uma Casa da Mulher vítima de violência. Os dados nos trazem que, em 2025, nós tivemos mais de 700 medidas protetivas e mais de 67 mulheres atendidas no CREAS. Então, nós vimos essa necessidade hoje de conhecer outros municípios e saber como elas estão atuando frente a essas demandas”, afirmou.
Durante a visita, a equipe de Piraquara observou a estrutura física, os serviços oferecidos e o fluxo utilizado para encaminhamento das mulheres atendidas.
“Nós chegamos a essa questão pelo número de atendimentos que a gente entende que é uma especificidade de Piraquara, esse número elevado de atendimentos de mulheres vítimas de violência”, explicou a secretária.
Maria Cicarelli avaliou positivamente a estrutura encontrada em Paranaguá e destacou a integração entre os diferentes serviços.
“Nós gostamos muito da estrutura, de como vocês fazem. Entendemos a questão de ter o CRAM e também os outros serviços. A organização e o fluxo deste espaço eu achei bem completo para atender essas demandas. Então, nós gostamos bastante”, afirmou.
A secretária ainda ressaltou a importância de conhecer, na prática, como funciona o encaminhamento das mulheres dentro da rede de proteção.
“Chegamos aqui e nem sabíamos que tinha toda essa estrutura, toda essa organização. Entendemos que o fluxo e a forma como vocês encaminham a mulher, toda essa estrutura, são bem completos”, concluiu.
A visita reforça a importância da integração entre municípios na construção e aprimoramento de políticas públicas voltadas à proteção das mulheres, sobretudo no enfrentamento da violência e na criação de uma rede capaz de oferecer acolhimento, orientação e encaminhamento adequado às vítimas.
SERVIÇO
O CRAM é o centro da rede de proteção de Paranaguá (PR) e possui um protocolo unificado para atendimento a mulheres em situação de violência. O fluxograma oficial, divulgado pela Prefeitura, centraliza todo o atendimento no Centro de Referência de Atendimento à Mulher.
De onde vem as demandas
O CRAM recebe encaminhamentos de 11 portas de entrada: Patrulha Maria da Penha, Polícia Civil, Polícia Militar, SEMDIR, Educação, Saúde, Judiciário, Conselho Tutelar, PAM, Procuradoria e demanda espontânea, quando a própria vítima procura ajuda. A triagem inicial por faixa etária divide adolescentes (atendidas pelo CREAS), mulheres de 18 a 59 anos (pelo CRAM) e idosas (novamente pelo CREAS). Em todos os casos, o CRAM realiza o primeiro atendimento e fornece orientações.
O caminho dentro do CRAM
Ao chegar ao centro, verifica‑se a adesão ao atendimento. Caso a mulher não aderisse, a equipe registra, documenta e arquiva o caso. Quando há adesão, seguem‑se as etapas de atendimento e orientação, diagnóstico técnico, avaliação de risco e preenchimento da Ficha SINAN. A partir da avaliação de risco, podem ocorrer dois encaminhamentos: com rede de apoio – contato com a família ou rede social e auxílio ao translado; sem rede de apoio – inserção da vítima na casa de acolhimento. Ambas as situações conduzem à fase de encaminhamentos para a rede intersetorial.
Protocolo específico para violência sexual
Existe um fluxo diferenciado quando a violência é sexual. Se a resposta for positiva, o tempo decorrido determina a ação: em até 72 horas, encaminhamento imediato ao Hospital Regional do Litoral (HRL) para profilaxia; após 72 horas, segue o encaminhamento geral.
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