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30 de agosto: Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla
A história de Letícia Cavallari Cunha, de Paranaguá, revela os desafios e a esperança de quem convive com a doença
Por Karen Kleinhans
29 de Agosto de 2025 às 09:56
No Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla (EM), celebrado em 30 de agosto, o Brasil chama atenção para uma condição neurológica crônica e autoimune que, apesar de pouco conhecida, já afeta cerca de 40 mil brasileiros. A doença atinge mais mulheres que homens, costuma aparecer entre os 20 e 50 anos, mas pode dar sinais muito antes. No Sul do país, a prevalência chega a 27 casos para cada 100 mil habitantes, quase três vezes a média nacional. Entre as histórias que dão rosto a esses números está a de Letícia Cavallari Cunha, moradora de Paranaguá, que convive com a doença há mais de uma década.
Primeiros sinais ainda na adolescência
Os primeiros sintomas apareceram cedo. “Eu tinha uns 12, 13 anos quando senti minha perna amortecer. Fui ao ortopedista, fiz exames, mas nada foi identificado. Depois, com 18, em Curitiba, percebi que em dias frios não sentia a água quente do chuveiro. Aos 20 anos, tive visão dupla e formigamento nas pernas. Foi então que procurei atendimento e recebi o diagnóstico definitivo”, relembra.
Diferente de muitos casos, em que o diagnóstico pode levar anos, no caso de Letícia o processo foi rápido: em apenas três dias os exames realizados no Hospital INC confirmaram a Esclerose Múltipla.
O impacto do diagnóstico
Receber a notícia não foi fácil. “O primeiro baque foi psicológico”, conta. Na época, cursava faculdade e, em plena semana de provas, precisou de apoio dos professores para conseguir concluir as avaliações, já que a visão estava comprometida. O impacto na rotina foi profundo: fadiga, dificuldades motoras, crises em que pernas e mãos não obedecem. Mesmo assim, Letícia encontrou caminhos para se reinventar profissionalmente e não parar de trabalhar.
Rede de apoio e tratamento
A família, que já tinha histórico de doenças autoimunes, foi um suporte essencial. “Foi triste, mas eles me apoiaram o tempo todo. Meus amigos também estiveram ao meu lado”, destaca. O tratamento começou pelo SUS, com fornecimento de medicamentos, e hoje segue pelo convênio, já que o remédio atual não está na lista pública. O acompanhamento médico permanece no Hospital INC, somado a musculação para fortalecimento muscular e fisioterapia para equilíbrio e coordenação. “Um dos meus maiores medos era perder a visão. Faço acompanhamento constante com neuro-oftalmo e exames regulares, mas não quer dizer que não possa ter novos surtos. Aprendi a lidar com isso, fortalecendo o corpo e a mente”, afirma.
Convivendo com a instabilidade
Os dias não são iguais. “É muito instável. Tem dias bons, mas outros em que o corpo simplesmente não responde. As pernas travam, as mãos não obedecem. Ainda assim, é preciso trabalhar, cuidar da casa, ser mãe e seguir em frente. Só Deus para sustentar”, desabafa.
Esperança e fé
O que mantém Letícia firme é a fé e a expectativa em relação aos avanços da medicina. “Novas pesquisas e tratamentos estão surgindo, e isso me dá força. Não é o fim do mundo, é preciso se adaptar e continuar vivendo.” Seu conselho a quem enfrenta sintomas ou investiga a doença é direto:
“Não tenha medo. Não é o final do mundo, só precisa se adaptar.”
O Dia Nacional da Esclerose Múltipla é um convite à sociedade para olhar com atenção para uma doença silenciosa, mas que transforma realidades. A história de Letícia mostra que o diagnóstico precoce, o tratamento adequado e o apoio familiar fazem diferença. Mais do que estatísticas, a data é um lembrete de que, por trás da doença, existem pessoas que todos os dias ensinam resiliência, coragem e esperança.