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Imagem: Bem Paraná
UFPR identifica espécie desaparecida no litoral paranaense
Pesquisadores identificam caramujo terrestre desconhecido em sambaqui do litoral paranaense
Por Redação
29 de Junho de 2026 às 10:50
Pesquisadores da UFPR, junto a colegas da USP e de um programa de pós‑graduação, examinavam um sambaqui de cerca de 3 mil anos na Ilha do Teixeira quando encontraram 23 conchas de um caramujo terrestre do gênero Thaumastus, cujas conchas mediam entre 3 e 6 centímetros, tamanho incomum para o grupo. Ao comparar os achados com espécies conhecidas, a equipe notou diferenças na espira — a ponta da concha — e na coloração: faixas marrom‑avermelhadas e uma linha branca em espiral que não aparecem em outras espécies do gênero, o que levou à conclusão de que se trata de uma nova espécie.
A nova espécie recebeu o nome Thaumastus teixeirensis em referência à ilha onde o material foi encontrado, e as conchas limpas foram depositadas no Museu de Zoologia da USP; a descrição foi publicada na revista Papéis Avulsos de Zoologia no final de 2025. Depois da identificação, os pesquisadores passaram dois anos procurando outros exemplares na ilha e em sambaquis próximos, sem sucesso; nem conchas vazias foram achadas, reforçando a hipótese de que a espécie vivia restrita ao mangue e tinha pouca capacidade de dispersão para o continente.
Sobre o desaparecimento, os cientistas apontam que mudanças rápidas no clima — como longos períodos de estiagem ou variações do nível do mar — podem ter eliminado a população, já que moluscos são sensíveis à umidade e podem morrer se o ambiente permanecer seco. Outra possibilidade mencionada é que ocupações humanas mais intensas da ilha a partir do século XVIII tenham contribuído para a extinção, uma vez que comunidades locais costumavam consumir caramujos, embora isso talvez não tenha sido a causa principal.
A descoberta ressalta a importância dos sambaquis como registros arqueológicos que preservam conchas e sinais da biodiversidade e das práticas humanas do litoral pré‑colonial, e os pesquisadores pedem proteção a esses sítios, lembrando que as conchas que permitiram a identificação da espécie foram encontradas em área que estava sendo cimentada e poderiam ter sido perdidas se a intervenção avançasse.
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