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Imagem: Governo do Paraná
Paraná despenca desmatamento da Mata Atlântica
Estado tem terceira maior queda do país na supressão do bioma
Por Redação
01 de Julho de 2026 às 09:56
O Paraná conseguiu uma forte redução no desmatamento da Mata Atlântica entre os períodos de 2020-2021 e 2024-2025, segundo dados do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica, da Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com MapBiomas e Arcplan. A área de vegetação suprimida no Estado caiu de 3.298 hectares para 411 hectares, o que representa uma diminuição de 87,5% no corte de árvores nesse intervalo. No cenário nacional, o Paraná aparece com o terceiro melhor desempenho proporcional, atrás apenas do Rio Grande do Sul, com queda de 92,6%, e de São Paulo, com redução de 88,7%, enquanto o país como um todo reduziu o desmatamento em 59,6%.
De acordo com o levantamento, divulgado por uma organização ambiental, o resultado é atribuído a uma combinação de fiscalização intensa e uso ampliado de tecnologias de monitoramento. “Reduzir o desmatamento ilegal é uma obsessão no Paraná, há uma concentração de esforços, liderada pelo governador Ratinho Junior, para que isso aconteça. Estamos monitorando, fiscalizando e multando, e assim conseguimos salvar muitas florestas, garantir um Paraná sustentável para as futuras gerações”, afirma o secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável, Everton Souza. Ele destaca que o Instituto Água e Terra (IAT) passou a usar imagens de satélite históricas e plataformas que emitem alertas quase diários de desmatamento, o que ampliou a capacidade de resposta das equipes em campo.
O Estado conta atualmente com três plataformas de alertas que utilizam imagens de satélite para vigiar as áreas verdes e identificar possíveis irregularidades. A Rede MAIS, aderida em 2023 em cooperação com a Polícia Federal, oferece imagens em alta resolução de todo o território paranaense e possibilita acompanhamento em tempo real. Já o Prodes Brasil, programa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais criado em 1988 para medir o desflorestamento na Amazônia, passou a incluir outros biomas em 2022 e utiliza séries de fotos de satélite comparadas periodicamente. A plataforma MapBiomas, formada por universidades, organizações não governamentais e empresas de tecnologia, junta imagens de satélite, computação em nuvem e inteligência artificial para monitorar mudanças na cobertura e no uso da terra, aumentando a precisão das análises.
Até 2020, os sistemas identificavam e geravam alertas apenas para áreas desmatadas acima de 1 hectare, mas desde então passaram a detectar intervenções em áreas a partir de 0,3 hectare, tornando o controle mais detalhado. “A tecnologia permitiu uma grande otimização das ações de fiscalização, reduzindo custos, a necessidade de recursos humanos e o tempo de resposta para a tomada de providências. Ela também trouxe mais segurança técnica aos agentes fiscais, que agora dispõem de informações precisas geradas a partir do geoprocessamento e da análise de imagens do satélite e de bancos de dados como o CAR – Cadastro Ambiental Rural”, explica a engenheira florestal do IAT, Aline Canetti.
Além do monitoramento, o Paraná vem estruturando políticas públicas voltadas à preservação e recuperação ambiental. Uma delas é o ICMS Ecológico por Biodiversidade, que repassa parte da arrecadação do imposto aos municípios que mantêm Unidades de Conservação, áreas indígenas, áreas especiais de uso regulamentado ou mananciais que abastecem cidades vizinhas. Do total de ICMS destinado aos municípios, 5% são reservados para esse mecanismo: metade vai para cidades com Unidades de Conservação e a outra metade para municípios com mananciais de abastecimento público. Em 2025, o Governo do Estado distribuiu R$ 659,6 milhões por meio do ICMS Ecológico, com média mensal de R$ 54,9 milhões, valor 3,7% maior que o de 2024, quando foram repassados R$ 635 milhões.
O IAT também apoia iniciativas locais de desenvolvimento sustentável com o Pagamento por Serviços Ambientais Municipal (PSAM), voltado à gestão de Áreas Protegidas. O programa oferece incentivo financeiro a proprietários de Reservas Particulares do Patrimônio Natural, estimulando a manutenção dessas áreas de proteção. As autoridades reforçam que quem promove desmatamento ilegal está sujeito a sanções administrativas previstas na Lei de Crimes Ambientais e em regulamentos federais que tratam de infrações contra o meio ambiente, podendo ainda responder criminalmente. Os recursos das multas vão integralmente para o Fundo Estadual do Meio Ambiente, que financia planos, programas e projetos de controle, preservação, conservação e recuperação ambiental, conforme legislação estadual específica.
Para a população, a principal forma de colaborar é denunciar situações de desmatamento irregular e outros crimes contra a flora e a fauna silvestres. No Batalhão Ambiental, o canal indicado é o Disque-Denúncia 181, que permite análise e verificação presencial das informações recebidas. Já no IAT, o registro deve ser feito na Ouvidoria, disponível no Fale Conosco ou diretamente nos escritórios regionais, sempre com a localização e o relato objetivo dos fatos. Quanto mais detalhes forem informados pelo cidadão, mais ágil tende a ser o atendimento e a apuração das ocorrências.
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