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Imagem: Divulgação

Primavera muda a rotina da natureza no Litoral do Paraná

Entre setembro e dezembro, a costa paranaense deve registrar mudanças na vegetação, no comportamento das aves, na presença de animais marinhos e no regime de chuvas

Por Yasmim Amarantes
02 de Setembro de 2026 às 11:57

A primavera de 2026 começa oficialmente às 21h05 do dia 22 de setembro, durante o equinócio marcado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). No Litoral do Paraná, porém, as mudanças provocadas pela nova estação começam a ser percebidas aos poucos, com alterações na temperatura da água, na vegetação, na presença de aves e na ocorrência de chuvas.
Entre os sinais da chegada da primavera está a recuperação da vegetação de restinga em diferentes pontos da costa. O Instituto Água e Terra (IAT) mantém, em Morretes, um viveiro voltado à produção de mudas de espécies nativas, como capororoca, soja-da-praia, orelha-de-onça e baguaçu.
Parte dessas mudas já foi utilizada em áreas de Pontal do Paraná e Matinhos. Segundo os dados apresentados, a vegetação nativa da orla foi ampliada de 2,5 para mais de 5 hectares com o plantio realizado nos últimos anos.
A restinga tem papel importante na proteção da costa, ajudando a conter os efeitos da erosão provocada por marés e ventos. A vegetação também contribui para a fixação da areia das dunas e oferece abrigo e alimento para animais que vivem no ambiente litorâneo.
De acordo com o gerente de Restauração Ambiental do IAT, Mauro Scharnik, o projeto piloto iniciado em Pontal do Paraná deve ser levado para outros pontos do litoral. Com o aumento da umidade do solo e a maior regularidade das chuvas durante a primavera, as mudas entram em um período favorável ao crescimento.

A primavera também marca mudanças na presença de aves na costa paranaense. A região da Baía de Paranaguá e a Área de Proteção Ambiental de Guaraqueçaba já registraram cerca de 341 espécies, número que representa quase metade das espécies catalogadas em todo o Paraná.
Entre elas estão espécies migratórias que percorrem milhares de quilômetros até chegar ao litoral. Maçaricos que vêm de regiões árticas e subantárticas utilizam os bancos de sedimentos expostos pela maré para descansar e se alimentar.
Durante a primavera, esse movimento migratório ganha força. Algumas espécies chegam após o período de inverno no hemisfério norte, enquanto aves regionais também retornam ao Sul do Brasil para o período de reprodução.
Um exemplo é a tesourinha, que volta nessa época e permanece na região até o fim do verão, antes de seguir em direção à Amazônia. Manguezais, restingas e áreas próximas às barragens de maré da Baía de Paranaguá servem como locais de descanso e alimentação e, para algumas espécies, também de nidificação.

Outro aspecto observado durante a primavera é a presença de animais marinhos próximos à costa. Embora o Litoral do Paraná não esteja entre as principais áreas de desova de tartarugas marinhas monitoradas pelo Projeto Tamar, a região tem importância para o ciclo de vida da tartaruga-verde.
Áreas como a Ilha do Mel, Ilha das Cobras, manguezais de Paranaguá e costões rochosos de Matinhos e Guaratuba concentram tartarugas residentes e indivíduos de passagem. O monitoramento é realizado pelo Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), sob coordenação da bióloga Camila Domit.
A primavera também é apontada como um período de maior frequência de avistamentos de raias-manta no Complexo Estuarino de Paranaguá. A espécie, considerada a maior raia do mundo, pode superar 9 metros de largura e pode ser observada saltando para fora da água.
Nesse período, também são registradas interações com botos-cinza, que são habitantes frequentes da Baía de Paranaguá.
Com a chegada da primavera, a temperatura da água começa a aumentar gradualmente. Em 2026, esse cenário também é influenciado pelas condições do Pacífico Equatorial, que apresenta um El Niño classificado como muito forte.
Segundo boletim do Epagri/Ciram de agosto, foram registradas anomalias de temperatura da superfície do mar entre 1,5°C e mais de 3°C acima da média em algumas regiões monitoradas. A condição deve permanecer influente até o início do outono de 2027 e pode alterar o comportamento do oceano e da atmosfera na Região Sul.

As condições do El Niño também estão relacionadas ao comportamento das chuvas durante a primavera. Historicamente, o fenômeno favorece maiores volumes de chuva na Região Sul, principalmente no fim do inverno e durante a primavera.
Para o trimestre, a previsão do Fórum Climático, formado por Epagri/Ciram, INMET, CIGERD e UFRGS, aponta volumes de chuva acima da média climatológica, com maiores acumulados esperados em outubro e novembro.
O período também pode ter maior frequência de frentes frias e ocorrência de temporais acompanhados de raios, granizo e risco de vendavais.
O aumento da umidade pode favorecer a recuperação da vegetação de restinga que vem sendo plantada no litoral. Por outro lado, o excesso de chuva pode elevar o risco de erosão em áreas que ainda estão degradadas e aumentar a umidade do solo em regiões mais baixas da costa.
Assim, entre setembro e dezembro, a chegada da primavera deve trazer mudanças que vão além do aumento das temperaturas. A estação influencia a vegetação, o deslocamento das aves, a presença de animais marinhos e as condições de chuva, alterando gradualmente a paisagem e a dinâmica natural do Litoral do Paraná.

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