O Projeto Aproxima chegou à Ilha do Teixeira, em Paranaguá, levando uma grande estrutura de atendimento para dentro da própria comunidade, em um esforço para reduzir o isolamento de quem vive cercado pela baía e tem dificuldade de acesso a serviços básicos. As varandas das casas viraram balcões de atendimento e até espaços para audiências, encurtando a distância entre as necessidades dos moradores e os direitos garantidos pelo poder público.
Idealizado pela Justiça Federal em 2024, o projeto atua com a visão de que saúde e bem-estar fazem parte de um conjunto mais amplo de justiça social e qualidade de vida. “A palavra ‘Aproxima’ une o acesso à qualidade de vida”, explicou Viviane, representante da Marítimas, destacando que a iniciativa leva profissionais qualificados até o território, ofertando informações e orientações que dificilmente seriam acessadas no dia a dia da comunidade.
Durante a ação, equipes realizaram atendimentos individuais em áreas como saúde, assistência social e orientação jurídica, enquanto uma mesa de trabalho coletivo reuniu lideranças comunitárias e representantes de órgãos como Ministério Público, juízes, Copel, IAT, INSS, Receita Federal, Defensorias e secretarias municipais. Para o secretário Márcio Vega, estar fisicamente na ilha ajuda a compreender melhor os problemas de saneamento, energia e resíduos sólidos, e já rendeu encaminhamentos imediatos para melhorias em iluminação pública e tratamento de água.
Um dos pontos mais destacados foi a possibilidade de resolver questões que normalmente levariam anos na Justiça, em poucas horas e sem custo para o morador. Segundo Kely Cristina Laurentino, diretora de Planejamento e Gestão da Justiça Federal, a presença conjunta de todos os órgãos permite concessões de aposentadorias e homologação de sentenças em até duas horas, reduzindo a chamada “judicialização excessiva” por meio do diálogo direto.
Para quem vive na Ilha do Teixeira, a iniciativa representa uma mudança na relação com o poder público. Morador da comunidade há quase sete anos, Maurício Burkard destacou que, na cidade, muitas vezes o atendimento é difícil sem agendamento, enquanto o evento criou uma “passagem segura para o diálogo”, aproximando Estado e população. O Projeto Aproxima já passou por comunidades quilombolas, indígenas, caiçaras e áreas vulneráveis de outros municípios, e vem reforçando sua presença no litoral do Paraná como forma de garantir dignidade com ações itinerantes e coordenadas.
Entre os destaques, além da escuta das demandas coletivas sobre saneamento, energia, educação e acesso, também foram ofertados atendimentos individuais para pedidos de aposentadoria, regularização de CPF, orientações jurídicas e cuidados básicos em saúde.